29 de fevereiro de 2012

Seminário Internacional: O Percurso dos quilombos: de África para o Brasil e o regresso às origens


Confira a programação:

Lisboa, 7 de Março de 2012
Fundação Calouste Gulbenkian, Auditório 3
www.quilomboscontemporaneos.org


09:00 Recepção dos Participantes

09:30 Sessão de Abertura
Paulo Telles de Freitas, Administrador do Instituto Marquês de Valle FlôrEmílio Rui Vilar, Presidente da Fundação Calouste GulbenkianAugusto Manuel Correia, Presidente do Instituto Português de Apoio ao DesenvolvimentoDomingos Simões Pereira, Secretário Executivo da CPLP

10:30 Quilombos: raízes e identidades
Enquadramento histórico e reflexão teórica: as raízes africanas na construção da identidade
Carlos Alves Moura, Coordenador Geral do Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra da FundaçãoCultural Palmares, Ministério da Cultura, BrasilGlória Moura, Professora na Universidade de BrasíliaMaria Tereza Nunes Trabulsi, Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal do Maranhão

11:30 Pausa

11:45 Dos Quilombos do Maranhão às tabancas da Guiné-Bissau
Paralelismos: as tradições em Cabo Verde, na Guiné Bissau e no Brasil
Verónica Gomes, Investigadora Social
Mário Moniz, Secretário Executivo da Plataforma das ONG’s de Cabo VerdeIsabel Ribeiro, Coordenadora de programas da ONG Acção para o Desenvolvimento, Guiné-BissauAna Emília Santos, Quilombola do Quilombo Matões dos Moreiras, Maranhão, Brasil

13:15 Almoço livre

14:30 Quilombos Contemporâneos: a afirmação de uma identidade
A realidade Quilombola no séc. XXI: a vida em comunidade, lutas e direitos. A importância da valorização, divulgação e afirmação da
cultura Quilombola
Valderlene Silva, Associação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas do Maranhão
Maria José Palhano, Francisco Carlos Silva, Maria Antónia Santos e Jaqueline Belfort, Quilombolas do Maranhão, Brasil

16:00 Pausa

16:15 Kilombos: o Documentário
Apresentação do Documentário e debate
Moderação Fernando Ramos, Professor na Universidade de Aveiro
Miguel Silva, Coordenador do Programa Educação Global, Centro Norte-Sul do Conselho da Europa
Maria do Carmo Piçarra, Investigadora Universidade Nova de LisboaLuís Melo, Director de Imagem
Paulo Nuno Vicente, Realizador
Francisco Carlos Silva, Quilombola do Quilombo de São Benedito dos Pretos,Maranhão, Brasil

18:00 Momento Cultural 



27 de fevereiro de 2012


A flor de maracujá,
o por do sol, o parreiral,
Emanuel Medeiros Vieira
e outras imagens




Guaraciaba-SC. Fotos: Celso Martins

Emanuel prepara um
novo livro de contos

O escritor Emanuel Medeiros Vieira passou todo o período de Carnaval “revisando as provas do meu novo livro de contos”, escreve. “Lendo, relendo. Sem parar. Ou eu terminava com a revisão ou ela terminava comigo.... Ufa! Terminei! Terás uma surpresa”, acrescenta.
No momento Emanuel se encontra em Brasília, onde residiu por quase três décadas, devendo retornar a Salvador-BA nos próximos dias. Confira seu último texto:


G A M B I A R R A

Por EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

(...) “Vivendo sempre no obstruído, no precário, no inerte, no disforme, no incerto, no rígido, no aterrorizador, no inóspito, no nu, no enfermiço, no vacilante, no desguarnecido, no nu, no enfermiço, no vacilante, no desguarnecido, no inóspito, no lúdico”. (...)
(Enrique Vila-Matas, “Dublinesca”)

Brasil: gambiarra infinita –
atravessando o tempo e as caravelas,
os Inss, cartórios, jeitos, jeitinhos, golpes, democracias formais –
segue, gambiarra, até a consumação dos tempos,
vem geração, vai geração – estás sempre aí –
arrumando fios na clandestinidade ou às claras,
a gente sabe quem paga a conta
tudo inconcluso
navegar é preciso
gambiarra de simulacros – como se uma peste surgisse no porto de Santos
e acordasse feliz no Brasil inteiro,
com seus carnavais, feriados, e com o seu esquecimento,
e o pó chegará para todos – celebridades vãs, engenhocas eletrônicas, vestidos caros, futilidade, enganação, truques mentais.
Tudo seria recomeçado depois de uma bomba nuclear,
uma flor pequena, um velho de boina, um menino, uma regata – e o mar.
Segue o teu destino, gambiarra – segue em paz,
aguentaremos o teu fedor – sempre.
(Como temos suportado até agora com a nossa “alegria”, nosso samba, nossos mandões tão idiotas e tão presunçosos, nossos velhacos sempre iguais – paródias de si mesmos.)
Mas relembro: um menino, um velho, uma regata – e o mar.

(Brasília, fevereiro de 2011)

*





*





*

A G R E G A R

POEMA DE EMANUEL MEDEIROS VIEIRA*


“Não Matarás”: não basta.

Teu mandamento será este: farás tudo para que o outro viva.

É vero sim o que quero:

não me importa o estoque de teu capital, Brasil,

mas tua capacidade de: amar

lavrar

aspirar

compreender.

Esse estatuto de miséria não é o nosso,

e a tecnologia da última geração não me sacia:

meu coração navegador quer mais.

A Ética – cuspida, debochada, no reino do simulacro,

Virou produto supérfluo porque não tem valor contábil.

Tempo dessacralizado e sem utopia:

a esperança é um cavalo cansado?

A aventura acabou no mundo?

Seremos apenas meros grãos de areia na imensa praia global?

Habitantes de um mundo virtual neste mercado sem cara?

Soará pomposo, eu sei:

não deixemos que nos amputem a alma

(e que acolhamos o outro).

Ser gente: não mera massa abúlica, informe, com os olhos colados

no retângulo luminoso de todas as noites.

O tempo é apenas dos alpinistas sociais?

Sou bom porque apareço, não apareço porque sou bom.

Na internet a solidão é planetária.,

mas do abismo – fragmento – irrompe um menino eterno,

e sentes o cheiro de uma manhã fundadora.

(A Morada do Ser é mais importante que o poder/glória.)

E o poema resiste,

singra a eternidade,

despista a morte,

seu estatuto não é mercantil.

Já não esqueces o essencial:

Na estrada de pó e de esperança, acolhes o outro.


*Este texto obteve o Primeiro Lugar no Concurso Nacional de Poemas, promovido pela Associação de Cultura Luso-Brasileira, de Juiz de Fora, Minas Gerais, sendo contemplado com a Medalha de Ouro “Jacy Thomaz Ribeiro.” O tema do concurso foi “Solidariedade: Por um Mundo Melhor.”
*


26 de fevereiro de 2012

A Revista Identidades — uma realização da Casa Agostinho da Silva (CAS) — tem por objetivo a divulgação da obra do professor George Agostinho Baptista da Silva, promovendo o seu pensamento, bem como a divulgação dos Povos de Língua Portuguesa e a valorização da cultura lusófona/lusofilia entre culturas avizinhadas pelo mesmo idioma.






20 de fevereiro de 2012

Ceará dá o arranque para o Ano de Portugal no Brasil e do Brasil em Portugal

"O Vice Consul de Portugal no Ceará, Francisco Brandão, mais uma
vez demonstra seu dinamismo e dá o pontapé de saída para se tornar
realidade a decisão de ambos os Governos de iniciar em 7 de setembro
de 2012, de forma simultânea, as realizações que integrem o Ano de
Portugal no Brasil e do Brasil em Portugal, que se estenderão até 10
de junho de 2013, emprestando assim o simbolismo das datas nacionais
de ambos os países lusófonos, para ditar a responsabilidade não só dos
Governos mas das sociedades civis em garantir um conteúdo com a
importância necessária para não se esgotar na sua concretização e sim
projetar um novo patamar das relações luso.brasileiras, cuja muito mais
dilatada abrangência política e económica, para alem da fundamental
coesão em termos históricos e culturais, será absolutamente determinante
para o futuro de Portugal" (Amândio Silva)

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Ano de Portugal no Brasil e do Brasil em Portugal - Artigo

(Texto publicado pela Embaixada de Portugal - Brasília em 14/02/2012)



Por sugestão do Vice-Cônsul de Portugal em Fortaleza, Francisco Brandão, o jornal O POVO irá publicar todos os meses, até 7 de setembro deste ano, data do início do Ano de Portugal no Brasil e do Brasil em Portugal, um novo artigo sobre o relacionamento entre os dois países.

Com a devida vénia, publicamos aqui, na íntegra, o primeiro dos artigos dessa série.

"De forma inédita, Portugal e o Brasil acordaram realizar simultaneamente o ano do Brasil em Portugal e ano de Portugal no Brasil , com início no dia nacional do Brasil, 7 de Setembro de 2012, e encerramento na data nacional de Portugal , dez de junho de 2013.

Trata-se de um convite para que ambas as nações se reinventem nas suas relações que nunca foram tão intensas e difusas já que surgem em todas as áreas e de forma espontânea.

Que pode cada um de nós fazer nesse ano? Estão as entidades de cada país, Governos centrais, estaduais, municípios, universidades, escolas, associações empresariais, artistas e meios de comunicação social convidados a refletir e a promover ações de aproximação entre as nossas duas nações.

Não serão apenas eventos de grande porte mas podem ser ações pontuais e locais que aproximem a cultura e economia dos nossos países e revelem o melhor de cada um de nós em “inovação e modernidade“.

Os projetos devem ser apresentados do lado português ao nosso Comissariado Geral que este mês iniciou atividades para seleção e chancela. Portugueses e Brasileiros hoje são parceiros e cultivam “cumplicidade” e constatam ser mutuamente vantajoso.

Esse é o principal motor, o estatuto de parceiros. O Ceará acumulou uma comunidade portuguesa muito articulada e experiente que pode potenciar essas ligações, um associativismo com curriculum de realizações lusófonas, nomeadamente a dinâmica Câmara de Comércio e a histórica Beneficente Portuguesa, universidades com experiência de intercâmbio, municípios com presença portuguesa e acordos de cooperação, um governo estadual parceiro de diversas iniciativas e de empresas portuguesas, a FIEC, o SEBRAE, Artistas e Ongs.

Portugal e o Brasil, nações livres e democráticas, sem imposição de paradigmas ideológicos históricos já que têm sólidos fundamentos de nação, escrevem todos os dias novas páginas de cooperação.

Localmente, o Vice-Consulado, com jurisdição no Ceará e Piauí, que tem como funções promover relações econômicas sociais e culturais, procurará acompanhar e articular as atividades de aproximação que estiverem ao seu alcance; mas seria de grande satisfação ver despontar espontaneamente e em todas as áreas iniciativas de que nos transcendam de aproximação entre Portugal e o Brasil nomeadamente no Estado do Ceará e Piauí e, por outro lado, assistir a realizações de promoção do Ceará e Piauí em Portugal durante esse período."


Francisco Neto Brandão - Vice-Cônsul
francisco.brandao@mne.pt
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Leia também: 

Eduardo Galeano: "O Direito ao Delírio"


17 de fevereiro de 2012

ATO DE REPULSA


(texto enviado por e-mail)


Um motorista do Senado ganha mais para dirigir um automóvel do que um oficial da Marinha para pilotar uma fragata !




Um ascensorista da Câmara Federal ganha mais para servir os elevadores da casa do que um oficial da Força Aérea que pilota um Mirage.




Um diretor que é responsável pela garagem do Senado ganha mais que um oficial-general do Exército que comanda uma Região Militar ou uma grande fração do Exército.




Um diretor sem diretoria do Senado, cujo título é só para justificar o salário, ganha o dobro do que ganha um professor universitário federal concursado, com mestrado, doutorado e prestígio internacional.  (É uma vergonha...!!)




Um assessor de 3º nível de um deputado, que também tem esse título para justificar seus ganhos,  mas que não passa de um "aspone" ou um mero estafeta de correspondências, ganha mais que um cientista-pesquisador da Fundação Instituto Oswaldo Cruz, com muitos anos de formado, que dedica o seu tempo buscando curas e vacinas para salvar vidas.




O SUS paga a um médico, por uma cirurgia cardíaca com abertura de peito, a importância de R$ 70,00, equivalente ao que uma diarista cobra para fazer a faxina num apartamento de dois quartos.



PRECISAMOS URGENTEMENTE DE UM CHOQUE DE MORALIDADE NOS TRÊS PODERES DA UNIÃO,  ESTADOS E MUNICÍPIOS, ACABANDO COM OS OPORTUNISMOS E CABIDES DE EMPREGO.

OS RESULTADOS NÃO JUSTIFICAM O ATUAL NÚMERO DE SENADORES, DEPUTADOS FEDERAIS, ESTADUAIS E VEREADORES.

TEMOS QUE DAR FIM A ESSES "CURRAIS" ELEITORAIS, QUE TRANSFORMARAM O BRASIL NUMA OLIGARQUIA SEM ESCRÚPULOS, ONDE OS NEGÓCIOS PÚBLICOS SÃO GERIDOS PELA “BRASILIENSE COSA NOSTRA”.

O PAÍS DO FUTURO JAMAIS CHEGARÁ A SER, SEM QUE HAJA RESPONSABILIDADE SOCIAL COM OS  GASTOS PÚBLICOS.

JÁ PERDEMOS A CAPACIDADE DE NOS INDIGNAR.
PORÉM, O PIOR É ACEITARMOS ESSAS COISAS, COMO SE TIVESSE QUE SER ASSIM MESMO,  OU QUE NADA TEM MAIS JEITO. VALE A PENA TENTAR. PARTICIPE DESTE ATO DE REPULSA.

15 de fevereiro de 2012

... sobre Agostinho da Silva


"Ao fim e ao cabo, a agostiniana idéia de Deus associa-se ao Espírito Santo. [...]. Se, ao longo da sua vida, se cruza com o cristianismo, com o catolicismo, com o taoismo, com o budismo-zen, com o candomblé, o certo é que a religiosidade antiga é o alicerce das lucubrações acerca de Deus."


"[...] o que mais importa, numa análise essencial sobre Agostinho da Silva,
é a reflexão acerca da harmonia entre o seu pensamento e a sua acção,
que, em última análise,
cremos estar na senda da multiplicidade universal."

PINHO, Romana V. O essencial sobre Agostinho da Silva. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2006, p. 57 e p. 84.).

ACORDO ORTOGRÁFICO SEGUE A VIA POPULAR



Um acordo de empobrecimento da língua e de interesses geoestratégicos


O assunto não é fácil, atendendo às diferentes grafias (europeia, brasileira e africana) e aos interesses políticos, económicos e culturais a elas subjacentes. O Acordo ortográfico vem beneficiar a grafia brasileira em relação à grafia luso-africana da língua portuguesa. Na sua forma possibilita assim uma maior concorrência, salvaguardando sobretudo interesses geopolíticos e económicos do Brasil.

O maior problema na génese e no processo do acordo, encontra-se, a meu ver, num espírito simplicista e vulgar, em via desde há décadas, na política cultural ocidental.

O maior problema manifesta-se na acentuação e na supressão das chamadas consoantes “mudas”, acabando-se assim com uma diferenciação etimológica insubstituível para a boa compreensão das palavras.  

Para se perceber um pouco o fundamento dos que questionam o acordo e para se ter uma ideia da riqueza da exactidão das palavras, apresento a etimologia das diferentes palavras portuguesas: facto, fato, fado e feito. As palavras portuguesas facto e feito vêm da palavra latina factu (do verbo facere=fazer); a palavra portuguesa fado vem da palavra latina latim fatu. A palavra portuguesa fato (roupa exterior do homem) virá do germânico fat. A palavra facto (realidade, verdade) é usada em todos os países lusófonos excepto no brasil que usa a palavra fato para designar facto e fato. Deu-se assim um empobrecimento da língua muito embora em benefício do povo com menos formação. (Apresento no final do artigo o exemplo de palavras provenientes do mesmo étimo latino para melhor se compreender a presença dum c ou dum p mudo na palavra, que levam à pronunciação aberta da vogal precedente). (Infelizmente em muitos dicionários virtuais já se abdica da diferenciação. Forças de interesse e ideologias procuram apagar os vestígios que os não servem. Isto acontece também no que respeita à disponibilidade de termos e de sinónimos no léxico).

Angola e Moçambique ainda não ratificaram o Acordo Ortográfico e naturalmente têm razões muito válidas para o não fazerem tal como os brasileiros e outros terão as suas para o fazerem. O “Jornal de Angola” ao lamentar o empobrecimento etimológico dum acordo ortográfico que se orienta pelo português falado ou pronunciado, mostra o busílis dum acordo que se orienta por um simplicismo redutor, traiçoeiro e mercantilista. Aqui os Angolanos manifestam-se contra a corrente entrópica ao exigir que “os que sabem mais têm o dever sagrado de passar a sua sabedoria para os que sabem menos” para não baixarem o seu nível.

O problema acentuou-se pelo facto de muitas objecções não terem sido resolvidos já na génese que prepararia o acordo ortográfico. Comete um grande erro quem parte para um acordo com base apenas no português falado. De lamentar seria naturalmente se não houvesse um acordo em defesa da língua. Por muitos erros que se cometam é melhor um acordo que nenhum; a não ser que se defenda a hegemonia do inglês.

O acordo ortográfico beneficia os que falam pior a língua. Por outro lado a língua não se mantem dependente de quem a melhor pode falar: padres, juristas, linguistas e médicos pelo facto de saberem a língua mãe, o latim.
O acordo é necessário para possibilitar a afirmação do idioma português no contexto internacional sem se atraiçoar a alma dos diferentes povos a veicular num português de afirmação global.

Os peritos que elaboram os acordos ortográficos deveriam dominar bem o latim e o grego; especialmente o latim.

O português é uma das línguas chamadas românicas, com a sua origem no latim, sendo uma evolução deste. O latim na sua expressão clássica manifesta um alto nível intelectual e na sua expressão popular (língua falada pelo povo: sermo vulgaris, cotidianus, plebeius, rusticus), com a sua riqueza fonética e morfológica, cria termos novos para expressar vocábulos por ele desconhecidos do latim erudito.  Deste modo enriquece a língua, tal como hoje acontece com o português vulgar (provincianismos, e outras formas de formação, entre elas, os neologismos…).

A língua latina suplantou as línguas dos povos vencidos relegando, muitas vezes, as destes para dialectos. Na península ibérica, só o basco lhe resistiu. A língua latina abandonada a si mesma no povo, sem disciplina gramatical, na sua evolução, deu lugar a diferentes falares ou falas que depois deram origem a línguas. Um desses falares foi o galaico-português (também língua dos poetas) que, devido a circunstâncias políticas, deu origem aos idiomas, galego e português. A evolução do português já se pode documentar em monumentos e documentos notariais a partir do séc. VII num latim bárbaro (língua falada pelo povo). A partir do séc. XII os poetas apoderaram-se desse falar (galaico-português) que no séc. XVI se estabilizou no português e no galego. A partir de então temos o português moderno como podemos ver em Camões.

O latim afirmou-se por todo o lado. Na nossa língua, encontram-se também com certa frequência, termos de povos invasores  (cerca de 600 palavras usuais germânicas e cerca de 600 palavras usuais árabes).

O vocabulário da língua portuguesa formou-se principalmente através do latim vulgar que se vai modificando através da fonética e da derivação de termos populares; uma outra forma de formação da língua foi a via erudita que de proveniência latina e grega se manteve mais próxima do padrão original latim e grego. O português tem uma fase arcaica que vai do séc. XII ao seculo XVI e uma fase moderna começada no séc. XVI (Camões).

Para melhor se poder compreender as divergências no que respeita ao acordo ortográfico e apelar ao respeito pela etimologia da língua, passo a dar exemplos da formação de termos em que o mesmo étimo latino origina duas palavras diversas. O Acordo Ortográfico nas suas coordenadas gerais deixa-se orientar mais pela via popular ou vulgar. De notar que, hoje como ontem, as pessoas mais simples têm tendência para não mastigar as palavras, ao contrário do que acontece no falar das pessoas mais eruditas.  A maior traição ao português e à alma do falante dá-se porém na redução das pessoas verbais (eu tu ele (ela,você), nós vós, eles (vocês). A língua em vez de evoluir e de se diferenciar embrutece seguindo o princípio da inércia, ao eliminar o vós e ao evitar até o tu na linguagem falada (como já adverti noutros textos). Assistimos a um empobrecimento geral em questões. A ignorância não nota o que perde, ganha sempre!

A palavra latina factum deu origem à palavra portuguesa factopor via erudita e à palavra feito por via popular.
Simplificando: do latim focum originou-se foco por via erudita e fogo por via popular
do latim legalem originou-se legal por via erudita e à palavraleal por via popular
do latim matrem originou-se madre por via erudita e à palavramãe por via popular
do latim Hispaniam originou-se Hispania por via erudita e à palavra  Espanha por via popular.
do latim jactum originou-se jacto por via erudita e à palavrajeito por via popular
do latim alienare originou-se alienar por via erudita e à palavra alhear por via popular
do latim plenam originou-se plena por via erudita e às palavras cheia, prenha por via popular
do latim oculum originou-se óculo por via erudita e à palavraolho por via popular
do latim grandem originou-se grande por via erudita e à palavra grão por via popular
do latim angelum originou-se Ângelo por via erudita e à palavra anjo por via popular
do latim aream originou-se área por via erudita e à palavraeira por via popular
do latim arenam originou-se arena por via erudita e à palavraareia por via popular
do latim atrium originou-se átrio por via erudita e à palavraadro por via popular
do latim catedram originou-se cátedra por via erudita e à palavra cadeira por via popular
do latim conceptionem originou-se concepção  por via erudita e à palavra conceição por via popular
do latim delicatum originou-se delicado por via erudita e à palavra delgado por via popular
do latim digitum originou-se dígito por via erudita e à palavradedo por via popular
do latim dolores originou-se Dolores por via erudita e à palavra dores por via popular
do latim directum originou-se directo por via erudita e à palavra direito por via popular.

Desta observação podemos concluir que o povo simples simplifica (via popular) e os eruditos preferem a clareza.
Com acordo ou sem ele, cada pessoa deve ter a liberdade de escrever na grafia que aprendeu.

António da Cunha Duarte Justo

8 de fevereiro de 2012


Caríssimos amigos:

Repasso-vos um mail que acabei de receber do meu amigo João Crisóstomo, emigrante nos EUA e um especial amigo da causa de Aristides Sousa Mendes, o heróico diplomata português que em 1940 salvou mais de 30.000 pessoas do holocausto, como sabem.

Face à possibilidade de extinção da Fundação Aristides e da perda irremediável da Casa do Passal, muito gostaria que endereçassem o mail abaixo sugerido, ao chefe de Gabinete do Secretário de Estado adjunto do PM, a fim de se evitar uma perda irremediável.

Aqueles de nós que possuem blogues, também podem e devem divulgar.

Cordiais cumprimentos do
Jorge da Paz Rodrigues

Meus caros  amigos,
Vejo com satisfação que o assunto está a ser recebido com interesse e a dar  bons frutos.  Aqui nos US  a Fundação tem descoberto muita gente. Eu, por absoluta impossibilidade, não estou muito envolvido neste projecto , mas a Olivia mantém-me informado. Estou porém envolvido noutro projecto, de tentar dar a minha ajuda para que a Fundação e a Casa do Passal sobrevivam a decisão de escolha ( que era para ter lugar a 2 de Fev e que foi adiada para 24 deste mês. Iniciei e estou coordenando uma campanha  de pedidos por E amil ( e não só) de  várias partes do mundo nesse sentido. E de todos os que tenho contactado sei que têm chegado muitas mensagens a Portugal nesse sentido ( e alguns deles de pessoas muito relevantes   no meio social  e cultural  desses países.
Para aqueles de vocês que por acaso ainda não estão  neste projecto,,, podem juntar a vossa voz?  Todos somos poucos até termos a certeza de que a fundação não vai ser extinta e  e a Casa do Passal continua a ter chance de mais cedo ou mais tarde ser recuperada, como me disse  John Paul Abranches (em carta que conservo): " The Sousa Mendes family would like to see the old family home restored to what it used to be and dedicated as a Museum of Tolerance and Human dignity, dedicated to the victims of the Inquisition, World War II, the Holocaust, and other acts of intolerance.  Segue a  carta, em português e Inglês que tenho sugerido. Quem puder fazer mais e  divulgar/ pedir a outros  seja em facebook e outros" webs" seria óptimo. 
 Um obrigado e um abraço grande a todos vocês.
 João Crisóstomo

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O novo goveno português, para tentar controlar despesas, etc, resolveu, entre outras coisas, fechar todas Fundações que não sejam auto-suficientes,  que precisem da ajuda do estado para sobreviver. Entre estas  a Fundação Aristides de Sousa Mendes. Amigos e alguns familiares de Sousa Mendes têm-se mexido para eviatr isso e que o governo faça uma excepção, dado a natureza, importancia  de A Sousa Mendes   etc.
 Entre várias coisas que temos feito  é mostrar o interesse e vontade da Comunidade Internacional a este respeito. Por isso  sugerimos/pedimos  que de toda a parte do mundo cheguem a Portugal pedidos nesse sentido ( Eu mesmo tenho feito os meus contactos  do Vaticano à Argentina, Canadá à Eslovenia e Reino Unido...)  todos somos poucos enquanto a decisão a favor não tiver sido feita, O que será feito no dia 2 de Fevereiro pelo Dr. Marques Guedes.
Por isso, para facilitar, aqui vai esboço da petição a enviar por E mail  que pode servir de base,modificada conforme necessário ou, se quiserem, até basta só copiar e enviar.
Abraço grande,
João
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CARTA EM PORTUGUES
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Exmo Senhor
Dr. Marques Guedes
c/o Dr. Francisco José Martins
Lisboa- Portugal,
 Excelência,

       A antiga residência de Aristides de Sousa Mendes, «Casa do Passal», porque evoca os actos heróicos deste grande humanista, de que Portugal se deve orgulhar, é a todos os títulos Monumento de toda a Humanidade.

       Seria grande perda para a Humanidade que este espaço ruísse e daí também a importância da continuidade da Fundação Aristides de Sousa Mendes, detentora desse espaço e empenhada em homenageá-lo por acção empenhada de familiares e amigos desta causa.
       São estes os motivos que me levam a pedir a Vossa Excelência o favor da sua intervenção, para que a Fundação Aristides de Sousa Mendes e a Casa do Passal sejam alvo de medidas que assegurem a sua existência e recuperação.
       Com os meus respeitosos cumprimentos, e consideração,

xxxxx (nome)


FAVOR MANDAR O E MAIL PARA :

7 de fevereiro de 2012

Aristides de Sousa Mendes não pode ser esquecido


De Jorge da Paz Rodrigues, colaborador da CAS

nem desonrado
Um amigo meu preveniu-me para o facto de estar eminente a ruína definitiva da Casa do Passal, em Cabanas do Viriato, com a extinção da Fundação Aristides de Sousa Mendes, onde este viveu e que é um símbolo da sua coragem e do heroísmo humanista, pois, em 1940, “armado” de 1 simples caneta, desobedeceu a Salazar e como Cônsul de Portugal em Bordéus passou mais de 30.000 vistos em 3 dias, salvando outras tantas vidas do holocausto nazi.
Por isso, tem sido homenageado, honrado  e condecorado, a título póstumo, por portugueses, israelitas, americanos, franceses, holandeses, ingleses, belgas, luxemburgueses, etc.
Por isso, eu e outros decidimos enviar a carta abaixo por e-mail para o Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, que tutela o assunto e se mais alguns nos quiserem secundar, desde já agradeço, em nome doa amigos de Aristides. O e-mail é: franciscojosemartins@pcm.gov.pt
Exmo. Senhor Dr. Marques Guedes,
Mui ilustre Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros
c/o Dr. Francisco José Martins
Lisboa - Portugal,
Excelência,
                A antiga residência de Aristides de Sousa Mendes, «Casa do Passal», em Cabanas de Viriato, porque evoca os actos heróicos deste grande humanista, de que Portugal se deve orgulhar, é a todos os títulos Monumento de toda a Humanidade, tendo sido há anos declarada património nacional.
               Seria uma grande perda para a Humanidade que este espaço ruísse e daí também a importância da continuidade da Fundação Aristides de Sousa Mendes, detentora desse espaço e empenhada em homenageá-lo por acção empenhada de familiares e amigos desta causa, como é o caso do seu neto, com o mesmo nome, que a família elegeu para Presidente do Conselho Geral daquela Fundação.
               Escusado será salientar que se a Fundação for extinta, por ser a detentora da 'Casa do Passal', tal equivale a "destruir" também um autêntico herói, precursor na defesa dos Direitos Humanos, que salvou mais de 30.000 vidas do Holocausto.
               E seria também um descrédito internacional enorme para o Governo Português.
               São estes os motivos principais que me levam a pedir a Vossa Excelência o favor da sua intervenção, para que a Fundação Aristides de Sousa Mendes e a Casa do Passal sejam alvo de medidas que assegurem a sua existência e recuperação.
               Com os meus respeitosos cumprimentos e consideração,